domingo, 1 de agosto de 2010

Como funciona o sangue artificial

Médicos e cientistas criaram muitos dispositivos mecânicos que podem substituir partes do corpo que se quebram ou se desgastam. Um coração, por exemplo, é basicamente uma bomba; um coração artificial é uma bomba mecânica que faz circular o sangue. Da mesma forma, artroplastias totais de joelho substituem ossos e cartilagens por metal e plástico. Próteses de membros se tornam cada vez mais complexas, mas ainda são essencialmente dispositivos mecânicos que podem fazer o trabalho de pernas e braços. Tudo isso é bastante fácil de compreender: trocar um órgão por um substituto artificial geralmente faz sentido.

O sangue artificial, por outro lado, pode ser algo espantoso. Uma razão para isso é que a maioria das pessoas pensa no sangue como algo mais do que apenas tecido conjuntivo que transporta oxigênio e nutrientes. Em vez disso, o sangue representa a vida. A maioria das culturas e religiões deposita um significado especial nele, e sua importância afetou até mesmo a língua inglesa. Você pode se referir às suas características culturais ou ancestrais como estando em seu sangue. Os membros da sua família são seus parentes de sangue. Se você é ultrajado, o seu sangue ferve. Se você está com medo, ele gela.

O sangue carrega todas essas conotações por um bom motivo: ele é absolutamente essencial à sobrevivência das formas de vida vertebradas, incluindo os seres humanos. Ele transporta oxigênio dos pulmões para todas as células do corpo. Ele também extrai o dióxido de carbono de que o organismo não precisa e o devolve aos pulmões para que seja exalado. O sangue fornece nutrientes do sistema digestivo e hormônios do sistema endócrino para as partes do seu corpo que precisam delas. Ele passa através dos rins e fígado, que removem ou destroem resíduos e toxinas. Os leucócitos do sangue ajudam a prevenir e combater doenças e infecções. O sangue também pode formar coágulos, evitando hemorragias fatais em conseqüência de cortes e arranhões sem importância.

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Rochas de Marte podem ter fósseis de 4 milhões de anos

Uma equipe internacional de cientistas, com participação do geólogo brasileiro Carlos de Souza Filho, da Unicamp, identificou rochas que, acreditam eles, podem conter restos fossilizados de vida em Marte.

O professor Souza Filho trabalha há vários anos em colaboração com equipes ligadas à NASA, efetuando comparações entre Marte e a Terra, em busca de indícios de vida e da presença de minerais.

A equipe de pesquisadores identificou rochas antigas da Nili Fossae, uma das fossas existentes na superfície do planeta.

O trabalho dos pesquisadores revelou que essa vala em Marte é equivalente a uma região na Austrália, onde algumas das mais antigas evidências de vida na Terra haviam sido enterradas e preservadas em forma mineral.

A equipe, coordenada por um cientista do Instituto para Busca de Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês), da Califórnia, acredita que os mesmos processos hidrotermais que preservaram as evidências de vida na Terra podem ter ocorrido em Marte na Nili Fossae.

As rochas têm até 4 bilhões de anos, o que significa que elas já existiam nos últimos três quartos da história de Marte.

Carbonatos

Quando, em 2008, cientistas descobriram carbonatos nessas rochas de Marte, provocaram grande alvoroço na comunidade científica, já que os carbonatos eram procurados havia tempos como prova definitiva de que o planeta vermelho era habitável e que poderia ter existido vida por lá.

Os carbonatos são produzidos pela decomposição de material orgânico enterrado, se esse material não é transformado em hidrocarbonetos.

O mineral é produzido pelos restos fossilizados de carapaças e ossos, e permite uma maneira de investigar a vida que existia nos primórdios da Terra.

Na nova pesquisa, publicada na última edição da revista especializada Earth and Planetary Science Letters, os cientistas avançaram a partir da identificação dos carbonatos em Marte.

Semelhanças entre Marte e Terra

O coordenador do estudo, Adrian Brown, usou um instrumento a bordo da sonda espacial MRO, da Nasa, para estudar as rochas da Nili Fossae com raios infravermelhos.

Eles depois usaram a mesma técnica para estudar rochas na área do noroeste da Austrália chamada Pilbara.

"Pilbara é uma parte da Terra que conseguiu se manter na superfície por uns 3,5 bilhões de anos, ou três quartos da história do planeta", disse Brown à BBC.

"Isso permite a nós termos uma pequena janela para observar o que estava acontecendo na Terra em seus estágios iniciais", explicou.

Os cientistas acreditam que micróbios formaram há bilhões de anos algumas das características distintivas das rochas de Pilbara.

O novo estudo revelou que as rochas da Nili Fossae são muito semelhantes às rochas de Pilbara em sua composição mineral.

Brown e seus colegas acreditam que isso mostra que os vestígios de vida que possa ter existido no início da história de Marte podem estar enterrados nesse local.

"Se havia vida suficiente para formar camadas, para produzir corais ou algum tipo de bolsões de micróbios, enterrados em Marte, a mesma dinâmica que ocorreu na Terra pode ter ocorrido ali", disse. Por isso, segundo ele, que os dois locais são tão parecidos.

Pouso em Marte

Brown e muitos outros cientistas esperavam que poderiam logo ter a oportunidade de estudar mais de perto as rochas de Nili Fossae.

O local havia sido marcado como um potencial local de pouso de uma nova missão para Marte, a ser lançada em 2011 pela Nasa.

Mas o local foi posteriormente considerado muito perigoso para um pouso e acabou removido da lista da Nasa em junho deste ano.

"O robô da Nasa acabará visitando outro local interessante quando pousar, mas esse local é o que deveríamos checar para descobrir se havia vida nos primórdios de Marte", lamenta Brown.

Cientistas criam gelo em temperatura ambiente

Depois de estudar os mecanismos da condensação da água na troposfera, cientistas descobriram como fabricar materiais artificiais para controlar a condensação da água e provocar a formação de gelo em temperatura ambiente.

O trabalho poderá permitir a fabricação de novos aditivos para fazer chover ou nevar, melhores freezers e revestimentos que ajudem a criar gelo em ambientes de entretenimento, como pistas de patinação.

Gelo hexagonal

O clima da Terra é fortemente influenciado pela presença de partículas de diferentes formas e origens - na forma de poeira, gelo e poluentes - que se acumulam a parte mais baixa da atmosfera, a troposfera.

Lá, a água adsorvida na superfície dessas partículas pode congelar em temperaturas mais elevadas do que a exigida para o congelamento de gotas de água pura, provocando chuva e neve.

"Há várias décadas, cientistas previram que os materiais com faces cristalinas com uma estrutura semelhante à do gelo hexagonal, a forma de todo o gelo e neve naturais na Terra, seria um agente ideal para induzir o congelamento e provocar chuva," explica o Dr. Albert Verdaguer, do Centro de Pesquisas em Nanociências e Nanotecnologia, na Espanha. "Mas esta explicação demonstrou ser insuficiente."

Fluoreto de bário

Os pesquisadores espanhóis decidiram então estudar o fluoreto de bário (BaF2), um mineral natural, também conhecido como "Frankdicksonita", como uma opção ao gelo hexagonal.

Eles estudaram a adsorção de água sobre a superfície dos cristais de BaF2 sob diferentes condições ambientais. Apesar de ter a desejada estrutura hexagonal, o BaF2 mostrou ser um material pobre na indução da nucleação do gelo.

Mas, curiosamente, quando a superfície do mineral apresenta defeitos, sua eficiência de condensação é maior.

Verdaguer e seus colegas descobriram que "sob condições ambientais - temperatura e umidade ambientes - nós observamos que a condensação da água é induzida principalmente pela formação de coberturas bidimensionais semelhantes ao gelo sobre os defeitos superficiais."

Gelo a temperatura ambiente

"Se, nestas superfícies, a água se condensa de forma ordenada, em uma estrutura hexagonal, em condições ambiente, o termo 'gelo a temperatura ambiente' é plenamente justificado," defende Verdaguer. "A fase sólida, o gelo, é produzida por um efeito de superfície, e não como uma consequência da temperatura."

O objetivo dos investigadores agora é materiais sintéticos ecológicos para induzir a formação de chuva e neve.

"A longo prazo, nós pretendemos preparar materiais inteligentes e superfícies inteligentes que vão reagir com a água de modos predefinidos," conclui o pesquisador.

Gerador multicombustível gera energia elétrica e dessaliniza água do mar

Apesar de já terem acesso a alguns tipos de combustíveis limpos, como o gás natural e o etanol, diversas localidades no Nordeste brasileiro ainda padecem da falta de energia elétrica e de água potável.

Uma tecnologia desenvolvida pela Vale Soluções e Energia (VSE) promete solucionar esses dois problemas sociais por meio de um gerador que produz energia elétrica suficiente para abastecer mais de mil casas e transforma qualquer tipo de água, como a do mar e de açudes, em água potável.

Denominada "central de poligeração de energia", a tecnologia integra o principal projeto da empresa, chamado "Combcycle", que visa criar centrais de produção de energia movidas a turbinas de gás a vapor com diversas aplicações.

"Estamos fazendo, pela primeira vez no mundo, o casamento entre uma técnica de geração de energia com uma planta de processo químico que pode gerar água doce a partir da água salgada em uma única unidade", disse o presidente da VSE, James Pessoa, durante a 62ª Reunião Anual da SBPC, em Natal (RN).

Gerador multicombustível

Prevista para começar a ser comercializada no final de 2011 e para ser entregue em 2012, a central pode gerar até 50 KW de energia elétrica de forma distribuída - ou seja, no próprio local, sem a necessidade de linhas de distribuição - e 40 mil litros de água potável.

Para isso, basta ser abastecida por qualquer forma de combustível que gere calor, como gás natural, etanol e biodiesel, e qualquer tipo de água, a exemplo da salobra e a de rios e manguezais.

O gerador tem seis metros de comprimento e possui um sistema de telemetria que possibilita que ela possa ser operada ao ar livre e remotamente por satélite, o que possibilita ver as condições de abastecimento, monitorar, fazer a manutenção e operar diversas unidades a partir de uma única unidade de operação. "Elas podem ser transportadas e instaladas de uma forma muito fácil e têm muito potencial de utilização no nordeste brasileiro e na África", conta Pessoa.

Dessalinização e petróleo

Outras aplicações da tecnologia é no tratamento de esgoto e efluentes industriais e na dessalinização da água do mar que, juntamente com os aquíferos salgados, concentra 97% do total da água disponível no planeta. Com a mini central de geração de energia, segundo Pessoa, é possível dessanilizar 50 mil litros de água potável por hora. "Ela representa um mecanismo efetivo para transformar a água do mar em água potável", assegura.

Já no campo industrial, a tecnologia pode ser utilizada por companhias petrolíferas para aumentar a taxa de recuperação de petróleo em jazidas que apresentam produção decrescente. Segundo os especialistas na área, do total de óleo e gás encontrados nos poços de petróleo, as indústrias petrolíferas não conseguem extrair mais de 40% do volume por falta de tecnologias. E quanto mais pesado for o petróleo, como o encontrado no nordeste, principalmente em campos terrestres, mais difícil é sua recuperação.

Ao injetar continuamente vapor a 600º em um campo de exploração de petróleo, segundo Pessoa, a tecnologia permite que a temperatura média do campo aumente gradativamente e diminua a viscosidade do petróleo, possibilitando que ele seja extraído mais facilmente. "Essa tecnologia tem um enorme potencial de utilização pela Petrobras, que já está testando-a em uma mina de xisto - outra possível aplicação", afirma.

Fonte: SBPC

Brasil terá acelerador de elétrons de terceira geração

Um anel acelerador de elétrons de 146 metros de diâmetro é o mais novo projeto do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas (SP). Com um faixa de frequência de raios luminosos mais ampla, a nova máquina poderá atuar em maior número de aplicações que o UVX, o anel atual.

A importância desse tipo de equipamento para o Brasil foi o tema da palestra do físico Antonio José Roque da Silva, diretor do LNLS, durante a 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que termina nesta sexta-feira, em Natal.

Orçado em US$ 200 milhões, o Sirius, como foi denominado, será uma fonte de luz síncrotron de terceira geração, com aplicações em diversas áreas do conhecimento, como nanobiologia, farmacologia, energia, microeletrônica, alimentos, materiais e paleontologia.

Aceleradores de elétrons

Síncrotrons são aceleradores de elétrons que produzem diferentes faixas de frequência de luz, cada uma útil para um tipo de aplicação, podendo envolver estudos de estruturas em escala atômica, molecular, microscópica ou macroscópica.

O UVX opera atualmente com uma energia de 1,37 GeV (gigaelétron-volt), o que permite gerar radiações eletromagnéticas que vão até a faixa dos raios X moles.

O Sirius, por sua vez, trabalhará com 3 GeV, o que, além de gerar mais intensidade de luz, também ampliará sua faixa de alcance para os raios X duros, permitindo o estudo de estruturas mais densas.

"Será possível enxergar o interior de um ovo fossilizado de dinossauro, por exemplo, o que não conseguimos fazer atualmente", disse Roque da Silva. O também professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) ressaltou que a paleontologia e a arqueologia são áreas que ainda utilizam muito pouco os serviços do atual anel de luz.

Elétrons em ziguezague

A primeira geração de anéis síncrotron surgiu na década de 1940, como resultado dos primeiros aceleradores de partículas. As máquinas voltadas a provocar colisões entre partículas atômicas e subatômicas apresentavam um efeito indesejável: perdiam energia por causa da radiação síncrotron emitida ao longo do trajeto.

Essa radiação começou então a ser aproveitada para experimentos de análise de estruturas moleculares. Estações de trabalho foram adaptadas nos pontos dos aceleradores de partículas que emitiam esse tipo de radiação.

Foi uma questão de tempo até entrarem em cena anéis específicos para emissão de luz síncrotron, sem o objetivo de fazer colidir partículas. Nascia a segunda geração de anéis, da qual faz parte o UVX, do LNLS, que está em operação desde 1997, tendo sido o primeiro do gênero do hemisfério Sul e ainda hoje é o único na América Latina.

A terceira geração de anéis lança mão de ímãs chamados de dispositivo de inserção. Instalados nos trechos retos do anel, esses ímãs fazem os elétrons se movimentarem em ziguezague, o que fornece novas radiações.

Com apenas quatro trechos retos e 30 metros de diâmetro, o UVX tem limitações físicas para receber dispositivos de inserção, enquanto o Sirius possuirá 18 seções retas e um diâmetro de 146 metros, segundo explicou Roque da Silva.

"O novo degrau de tecnologia de estudo da matéria, na linha dos síncrotrons, é o laser de elétrons livres, que é uma tecnologia muito mais cara e apresenta uma gama bem menor de aplicações", disse.

Dipolo de ímãs permanentes

O diretor do LNLS também ressaltou o expertise que o país conquistou em tecnologia síncrotron ao construir o seu próprio anel de luz. Cerca de 85% do trabalho e da tecnologia empregados na montagem do UVX são nacionais, o que gerou um conhecimento raro no mundo. "Se não tivéssemos construído o primeiro anel, não conseguiríamos projetar esse segundo", afirmou.

As oficinas do LNLS já estão construindo protótipos de componentes a serem usados no Sirius, entre eles um inédito em todo o mundo, o dipolo com magnetos permanentes. No dispositivo, os elétrons serão acelerados dentro do anel por ímãs acionados por eletricidade.

A equipe do laboratório propôs a substituição dos eletroímãs por ímãs permanentes, o que representaria uma significativa economia de energia. A dificuldade de trabalhar com tijolos de metal magnético, entre outros fatores, tem inibido o seu uso nos anéis. Por isso, o Sirius deverá ser o primeiro anel do mundo a operar apenas com ímãs permanentes.

A nova máquina também terá um dos fachos mais brilhantes do mundo e uma das menores emitâncias entre as maiores máquinas síncrotron projetadas e em operação. A emitância define o brilho da fonte e, quanto menor o seu valor, melhor a qualidade da luz. "Quando entrar em operação, o Sirius estará entre as três melhores máquinas do tipo no mundo", disse.

Tecnologia síncrotron

Com cerca de 2 mil usuários regulares, que realizam 460 propostas de pesquisa, o LNLS é um laboratório aberto a cientistas do Brasil e do exterior interessados em utilizar a tecnologia síncrotron em seus trabalhos. O novo anel não só ampliará o número de usuários como também de disciplinas beneficiadas.

Outro nicho de usuários do LNLS é o setor industrial. "No Japão, há 180 empresas que utilizam regularmente os anéis de lá, o que mostra a importância dessa tecnologia para a inovação tecnológica", disse Roque da Silva.

Segundo ele, países como Taiwan, Coreia do Sul, Dinamarca e Suécia estão construindo seus próprios aceleradores síncrotron, com o objetivo de atender, além da academia, o parque industrial do país. Na França, um dos maiores usuários é a cosmetologia. "A nanocosmética tem-se desenvolvido muito e a indústria francesa utiliza a tecnologia síncrotron", disse.

No esforço de aumentar o número de usuários, o LNLS iniciou recentemente um programa de utilização remota. Por meio de uma rede de alta velocidade pesquisadores conseguem realizar, de seu laboratório, experimentos no anel em Campinas. Um teste do modelo foi realizado com sucesso este ano, quando o equipamento foi operado a partir do Rio de Janeiro.

Intel apresenta chip fotônico a laser para substituir fios de cobre

A Intel anunciou um avanço importante rumo à utilização de feixes de luz para substituir o uso da eletricidade no transporte dos dados nos computadores.

A empresa desenvolveu um protótipo de chip fotônico que realizou, pela primeira vez, uma transmissão óptica de dados com lasers integrados em um chip de silício.

O link óptico é capaz de transmitir dados a distâncias maiores e em velocidades muito mais rápidas do que é possível com a tecnologia atual, chegando a até 50 gigabits de dados por segundo - isso equivale a transferir um filme inteiro em alta definição a cada segundo.

Chip fotônico

O feito é a primeira demonstração prática de um chip fotônico criado pela empresa em 2006 - veja Chip que emite e dirige luz poderá levar fotônica aos computadores.

Os chips dos computadores atuais são interligados por fios de cobre ou por trilhas metálicas nas placas de circuito impresso. Devido à degradação do sinal gerada quando metais são utilizados para transmitir dados, esses cabos têm que ser muito curtos.

Isso limita o projeto dos computadores, porque exige que processadores, memória e outros componentes sejam colocados a poucos centímetros uns dos outros.

O novo chip fotônico é um passo importante para substituir essas conexões - que usam elétrons para transferir dados - por finíssimas fibras ópticas - que usam fótons para transferir muito mais dados a distâncias muito maiores.

A grande vantagem do novo chip fotônico é a sua construção baseada no silício, que é muito mais barato e fácil de lidar do que outros materiais pesquisados na área, como o arseneto de gálio.

Super telas 3D e datacenters

O impacto da fotônica à base de silício vai além do interior dos computadores. Com as taxas de transmissão de dados alcançadas com esta tecnologia é possível imaginar telas 3D gigantescas, ocupando paredes inteiras, com uma resolução tão alta que será difícil distinguir o ambiente da sala do ambiente do filme.

Os datacenters também terão muito a ganhar, podendo ficar espalhados por vários locais diferentes, em vez de ficarem restritos a espaços pequenos, limitados pelos grossos cabos de cobre que interligam os diversos servidores.

A tecnologia ainda não está pronta para chegar ao mercado. Justin Rattner, chefe do Intel Labs, afirma que o link de 50 Gbps pode ser comparado a um "veículo conceito", que permite que os engenheiros da empresa testem novas ideias e aprimorem as tecnologias para transmitir dados a velocidades crescentes.

O campo das telecomunicações já utiliza lasers para transmitir informações opticamente, mas essas tecnologias, em seu nível atual, são caras e volumosas demais para serem usadas dentro de um computador pessoal.

Um HD inteiro em um segundo

O link de 50Gbps é estabelecido por dois chips fotônicos de silício, ambos com lasers integrados, um funcionando como transmissor e outro como receptor.

O chip transmissor é composto por quatro lasers, cujos feixes de luz são dirigidos a um modulador óptico, responsável por codificar os dados a 12,5 Gbps. Os quatro feixes são então combinados e injetados em uma única fibra óptica, alcançando a taxa de transferência total de 50Gbps.

Na outra ponta do link, o chip receptor faz o inverso, separando a luz da fibra óptica nos quatro feixes individuais e enviando-os para os fotodetectores, que convertem os dados de volta em sinais elétricos.

Os pesquisadores já estão trabalhando para aumentar a taxa de transferência de dados. Para isso eles pretendem acelerar o modulador e aumentar o número de lasers por chip, abrindo caminho, segundo eles, para os links ópticos do futuro, na faixa dos terabits por segundo - o suficiente para transferir todos os dados de um laptop típico em um segundo.

Megaprojeto de fusão nuclear vai receber US$ 21 bilhões

Os países que integram o projeto internacional de fusão nuclear Iter (sigla em inglês de Reator Termonuclear Experimental Internacional) concordaram em realizar um investimento de cerca de US$ 21 bilhões (R$ 48 bilhões) para começar a gerar energia limpa e barata até 2027.

O objetivo do Iter, que está sendo construído desde 2007 na cidade de Cadarache, no sul da França, é criar o maior reator de fusão nuclear do mundo, com a capacidade inédita de produzir mais energia do que consome, reproduzindo na Terra as reações nucleares que ocorrem no Sol.

A ideia é gerar pelo menos 500 MW, com 50 megawatts (MW) de energia iniciais.

Até o momento, foi realizada apenas a terraplanagem do terreno de 42 hectares (o equivalente a cerca de 42 campos do tamanho do Maracanã) que irá abrigar o projeto.

No centro da planície atualmente deserta, será construído o gigantesco reator Tokamak, dentro de um prédio de 57 metros de altura, com outros quatro andares subterrâneos.

Por tudo isso, o projeto, que triplicou de orçamento nos últimos anos, é considerado um dos experimentos científicos mais ambiciosos do planeta.

Orçamento apertado

Depois de uma reunião nesta quarta-feira com os membros do conselho do projeto - Índia, China, Coreia do Sul, Japão, Rússia, Estados Unidos e União Europeia (UE) - ficou decidido também que o japonês Osamu Motojima será o novo diretor-geral do Iter, responsável pela manutenção do cronograma e dos custos do projeto.

Em entrevista à BBC Brasil, Motojima admitiu que a sua maior responsabilidade será manter a fase de construção dentro do orçamento previsto.

A primeira dificuldade dele surgiu já no primeiro dia de mandato, já que a UE decidiu limitar a sua participação a US$ 6,6 bilhões, um corte de 9% em relação ao anteriormente previsto.

Como o bloco europeu é responsável por 45% da conta do Iter, Motojima terá que completar a fase de construção - prevista para novembro de 2019 - com cerca de US$ 850 milhões a menos que o prometido.

"Para termos a compreensão das pessoas, temos que nos manter dentro do orçamento. A minha expectativa é que podemos fazê-lo. Senão não aceitaria o cargo", afirmou o diretor-geral, que pretende poupar com mudanças na estrutura administrativa e nos sistemas de compra do Iter.

Na administração anterior, as estimativas de custo do Iter saltaram de 5 bilhões de euros para cerca de 15 bilhões de euros.

Física do plasma

Em meio à crise econômica mundial, o custo triplicado do projeto provocou duras críticas, principalmente depois que a UE propôs financiar o Iter com verbas de fundos de pesquisa de outros estudos ainda não repassadas.

"Isso é um projeto de física do plasma e por isso é interessante, belo, mas não há motivos para tirar verbas de outros belos projetos", afirmou à BBC Brasil o físico Jacques Treiner, da Universidade de Paris.

Para ele, o projeto do Iter tem falhas fundamentais na sua concepção e deveria ser abandonado antes de atrapalhar outros projetos.

Treiner é um dos signatários de uma carta aberta, ao lado do prêmio Nobel Georges Charpak, contra o repasse de verbas europeias ao Iter.

Nela, os estudiosos dizem que o repasse de verbas ao Iter seria o equivalente a 20 anos de pesquisas (sem contar com salários) nas áreas de biologia e física na França.

Incertezas da fusão nuclear

Para alcançar o objetivo do Iter, os cientistas terão que criar artificialmente temperaturas de cerca de 150 milhões de graus Celsius, que por sua vez transformam partículas atômicas em um gás incandescente, o plasma.

O problema é que, até hoje, o máximo de energia obtido por meio de plasma foi o equivalente a cerca de 70% da energia investida em produzir o gás.

Em outras palavras, ainda não se sabe como transformar a fusão nuclear em uma atividade economicamente viável.

No entanto, cientistas envolvidos no projeto acreditam que o Iter seja a melhor forma de obter uma fonte de energia limpa e renovável.

"Nós temos apenas um número limitado de fontes de energia. A fusão é uma delas. O investimento nessa tecnologia vale a pena, porque vai possibilitar uma recompensa de longo prazo, para os seus filhos, netos e bisnetos", afirmou o físico David Campbell, do Iter.

O Iter começou em 1985, quando os então presidentes dos Estados Unidos, Ronald Reagan, e da União Soviética, Mikhail Gorbachev, decidiram fechar um acordo internacional para desenvolver energia a partir da fusão nuclear.

Os sete integrantes do projeto esperam que seu sucesso não só garanta a energia do futuro, mas divisas referentes aos royalties a serem obtidos com a venda das tecnologias para outros países ou empresas.