domingo, 1 de janeiro de 2012

Malware da BIOS acende alerta de segurança

Em Setembro de 2011, a comunidade da segurança da informação viu todas as luzes de alerta se acenderem simultaneamente com a descoberta de um novo tipo de malware.

Não era um malware qualquer, mas "aquele" malware, cujo surgimento era profetizado desde o início da era da computação.

O Mebromi foi a primeira ameaça virtual capaz de infectar a BIOS (Basic Input/Output System).

A BIOS é um programa fundamental, residente dentro de um chip na placa-mãe do computador, responsável por inicializar todo o hardware do computador.

É esse programa que liga a memória, o processador, o disco rígido, e tudo o mais.

Como ele trabalha no nível mais baixo possível, nenhum programa antivírus está rodando no momento em que a BIOS é acionada.

Infecção da BIOS e MBR

Alterações mal-intencionadas no software básico do computador podem ser devastadoras, passando despercebidas por todos os sistemas de proteção existentes.

"Mudanças não autorizadas na BIOS podem viabilizar ou ser parte de um ataque sofisticado e dirigido, permitindo que um invasor se infiltre nos sistemas de uma organização e trave todo o seu funcionamento," afirmou Andrew Regenscheid, do Instituto Nacional de Padronização e Tecnologia dos Estados Unidos.

Apesar disso, o Mebromi foi considerado uma ameaça de risco baixo. Mesmo infectando a BIOS e o registro principal de inicialização (MBR), ele depende de um arquivo a ser baixado pela internet e não faz grandes estragos no computador.

Mas seu princípio de operação é potencialmente muito perigoso.

Aberto a sugestões

Os pesquisadores não ficaram parados e, analisando o código do primeiro malware da BIOS, elaboraram uma proposta de regras de segurança a serem seguidas por fabricantes de computador e profissionais de segurança da informação.

O documento explica os fundamentos de uma avaliação da integridade da BIOS, uma forma de detectar se o programa básico do computador foi modificado.

E, principalmente, de como alertar a ocorrência ao usuário, uma vez que o sistema operacional nem terá começado a funcionar nesse momento.

Não são regras para os usuários, mas para que os fabricantes tornem os computadores que ainda serão fabricados mais seguros contra o novo tipo de ameaça - daí o sentido de urgência com que o material está sendo lançado.

O documento, ainda aberto a comentários da comunidade de segurança da informação, está disponível no endereço http://csrc.nist.gov/publications/drafts/800-155/draft-SP800-155_Dec2011.pdf

Átomo híbrido de antimatéria produzirá laser de raios gama

Metade matéria, metade antimatéria, os átomos de positrônio estão sempre no limiar da própria aniquilação.

Mas acaba de ser descoberta uma forma de fazer com que esses átomos instáveis durem muito mais, talvez o suficiente para criar um poderoso laser de raios gama.

Todos os átomos da Tabela Periódica consistem de átomos com um núcleo de prótons, carregados positivamente, orbitados pelo mesmo número de elétrons, carregados negativamente.

Mas o positrônio (Ps) é muito diferente: ele é formado por um elétron e um anti-elétron (um pósitron) orbitando um ao redor do outro.

Sendo a antimatéria do elétron, o pósitron tem carga positiva, como o próton - mas com apenas 0,0005 da sua massa.

Mas esse sistema binário é muito instável: um átomo de positrônio dura menos de um milionésimo de segundo, antes que o elétron e o pósitron se aniquilem, emitindo um pulso de raios gama.

Laser de raios gama

Quando o positrônio foi sintetizado pela primeira vez, os cientistas logo viram nele a ferramenta ideal para a criação de um laser de raios gama.

Um laser de raios gama emitirá um feixe de alta energia e comprimento de onda muito curto, capaz de sondar estruturas tão pequenas quanto o núcleo de um átomo - o comprimento de onda dos lasers tradicionais é muito maior, o que limita sua resolução.

O problema é manipular os átomos de positrônio para que eles se autodestruam de forma controlada, criando um laser de raios gama, e não um pipocar de pulsos de raios gama aleatórios.

Agora, uma equipe liderada por Christoph Keitel, do Instituto Max Planck, na Alemanha, afirmou que lasers comuns poderão ser usados para retardar a aniquilação dos átomos de positrônio.

Aniquilação controlada

Segundo os cientistas, o truque é tão simples quanto disparar sobre o átomo de positrônio um pulso de laser com a energia exata para levar o átomo de positrônio a um estado de energia mais elevado, no qual o elétron e o pósitron saltam para uma órbita que os coloca mais afastados um do outro.

Com isso, a aniquilação será muito menos provável, fazendo com que o átomo híbrido de matéria e antimatéria tenha uma vida mais longa.

Eventualmente os átomos de positrônio podem perder energia, emitindo fótons e retornando ao estado de energia anterior.

Contudo, a equipe calcula que a metade deles sobreviverá por 28 milionésimos de segundo, o que é 200 vezes mais do que a meia-vida de um átomo de positrônio deixado por contra própria.

Condensado de Bose-Einstein

Isto pode ser tempo suficiente para que os átomos de positrônio formem um condensado de Bose-Einstein, um estado comumente chamado de "átomo artificial", porque os bilhões de átomos nessa nuvem agem praticamente como se fossem um só.

Assim, quando um deles se aniquilar, todo o restante seguirá o líder, emitindo um pulso de radiação laser feita de raios gama.

A vantagem da proposta é que, ao contrário dos átomos normais, que precisam ser resfriados até quase o zero absoluto para formarem um condensado de Bose-Einstein, devido aos efeitos quânticos, átomos de positrônio fazem o mesmo praticamente a temperatura ambiente.

Brasileiros buscam novas técnicas para produzir diamantes

Evaldo José Corat, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), está chefiando um projeto que envolve áreas diferentes, mas com um ponto em comum: são materiais de carbono.

Esses materiais são os diamantes sintéticos, os nanotubos de carbono e os chamados DLC (diamond-like-carbon, ou diamantes tipo carbono).

E todos são produzidos por meio de técnicas de deposição química a partir da fase de vapor.

Trata-se de um processo conhecido internacionalmente pela sigla CVD, de Chemical Vapor Deposition.

O processo envolve a ativação de um gás, o que pode ser feito ao se alterar a temperatura, fazer um plasma ou, no caso de diamante, pelo uso de filamento aquecido.

A partir de reação desse gás reativo é feita a deposição de materiais sobre superfícies, processo conhecido como "crescimento" e usado para produzir o diamante CVD (sigla que o distingue do diamante usado para as jóias), o DLC (diamond-like carbon) e os nanotubos de carbono.

Diamantes CVD

O CVD é conhecido dos pesquisadores desde os anos 1950.

No caso dos estudos do Inpe, ele é crescido a partir de uma mistura de gases que contém uma pequena concentração de metano.

A mistura é colocada em reatores de filamento quente - o equipamento usado para a pesquisa usa filamentos de tungstênio -, com temperaturas acima de 2.300 ºC. A partir da ativação desse gás, é feito o depósito desse diamante em um substrato, formando o filme de diamante.

Apesar de a descrição ser simples, produzir diamante em laboratório requer tempo. "A taxa de crescimento é de 2 a 4 micrômetros por hora. Podemos crescer diamantes bem finos até relativamente espessos", disse Corat.

Em um projeto desenvolvido anteriormente, envolvendo o uso de diamante CVD em brocas de perfuração de solo, os pesquisadores cresceram diamantes com 2 milímetros de diâmetro, em processo que levou mais de um mês.

Aplicações dos diamantes sintéticos

O diamante é conhecido por ser o material mais duro existente na natureza e os exemplares produzidos em laboratórios mantêm essa característica.

Cientistas fabricaram diamantes artificiais mais duros do que diamantes naturais

Eles também são excelentes condutores térmicos e transparentes na faixa do espectro que vai do raio X até o infravermelho longínquo.

Essas características podem ser exploradas na proteção de superfícies de equipamentos espaciais, em dispositivos microeletrônicos, em ferramentas de corte, como camada antiatrito em motores automotivos e aeronáuticos, para proteção de superfícies para ambientes agressivos e no processamento de vidros e materiais cerâmicos.

O diamante CVD também pode ser usado nas áreas médico-odontológica, como material para brocas rotativas usadas por dentistas, ou em aparelhos de ultrassom, em dispositivos para implantes e como eletrodos para sistemas de tratamento de efluentes e de água.

Corat e os pesquisadores a ele associados enfrentam o desafio de ampliar o crescimento de tubos de diamante CVD sobre fios finos de tungstênio.

"Estamos fazendo o escalonamento da produção para obter volumes relativamente grandes. Queremos obter ferramentas abrasivas, incluindo brocas de alta durabilidade para perfuração de rochas, com perspectivas de aplicação na perfuração de poços de petróleo. O desafio é tornar a produção economicamente viável", explicou.

O desenvolvimento de interfaces para deposição de diamante CVD sobre aços e materiais de ferramenta é outro importante objetivo do projeto. Os estudos identificaram que a interface de carboneto de vanádio e de boretos de ferro, obtidos por processo de termodifusão (difusão produzida por calor), tem capacidade de promover o crescimento de diamante de alta qualidade. Outra aplicação em estudo é a do diamante como eletrodo para eletroquímica, a ser usado, por exemplo, em tratamento de água.

O grupo coordenado por Corat também está pesquisando o processo de crescimento do nanodiamante, com potencial uso em um novo conceito de células solares que convertem calor diretamente em eletricidade e promete energia solar a custos menores que com as células de silício. Essa é uma linha de pesquisa básica do grupo coordenado pelo Inpe, que envolve o estudo de cálculos do processo e a identificação do material, procurando entender como e por que o nanodiamante cresce.

Nanotubos de carbono

Os pesquisadores estão estudando também o crescimento de nanotubos de carbono de forma alinhada sobre a superfície - geralmente, os nanotubos são apresentados na forma de pó.

A principal aplicação é em compósitos estruturais, ou seja, fazer o depósito de nanotubos alinhados sobre fibra de carbono.

"Estamos fazendo os estudos para o escalonamento desse processo, ainda na escala do laboratório e para uso próprio", explicou Corat. Os pesquisadores querem fazer o processo de forma mais rápida e ágil, obtendo amostras maiores de compósito para avançar suas pesquisas.

Outra área de trabalho é o desenvolvimento de técnicas para dar características de hidrofobicidade (capacidade de uma superfície repelir a água) e hidrofilicidade (afinidade de uma superfície com a água) a superfícies de nanotubos alinhados.

Com a técnica de plasma de oxigênio, os pesquisadores transformam a superfície de nanotubos alinhados em material super-hidrofílico; e com o tratamento a laser, que evapora parte dos nanotubos, tornam a superfície super-hidrofóbica.

Uma aplicação possível é a filtragem de água e óleo, ou seja, pode ser usado em filtros para plataformas de petróleo.

Mas a pesquisa que Corat destaca com mais ênfase envolvendo os nanotubos de carbono é a que investigou a interação dos nanotubos alinhados com células.

"Crescemos células e hidroxiapatita em nanotubos, com melhoria do processo de crescimento celular. É uma linha que temos intenção de continuar investindo", disse. A hidroxiapatita é um mineral importante para ossos e dentes, por exemplo.

Janela de luz

Outro subprojeto do grupo envolve parceria com o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCT) e localizado em Campinas (SP).

Os pesquisadores estudam o uso do diamante CVD em janelas de raio X, foco de alta energia. As janelas são uma interface entre o meio ambiente e o ambiente interno do anel, onde corre a linha de luz.

"São poucos os materiais que podem ser usados como janela. Geralmente usam berílio, um material caro e perigoso. Estamos em processo de estudo para substituição dessas janelas pelas de diamante", explicou Corat.

Diamante amorfo

O outro material que está sendo pesquisado é o DLC. Apesar de serem materiais formados por carbono, o diamante e o DLC são muito diferentes. O primeiro tem a estrutura cristalina e o outro é amorfo, e, por isso, não é considerado propriamente um diamante.

O DLC surgiu de uma tecnologia derivada do processo de tentativa de crescimento de diamantes em laboratório. Em algumas circunstâncias nesse processo foram obtidos materiais com características semelhantes às do diamante, mas que não tinham as estruturas cristalinas que o caracterizam.

"O DLC tem aplicabilidade industrial muito maior do que o diamante porque podemos fazer sua deposição em temperaturas mais baixas, praticamente em temperatura ambiente, e sobre materiais convencionais, como aço, alumínio, latão, plástico e vidro, que são mais importantes para a indústria.

Isso é algo que não conseguimos fazer com diamantes, que precisam de temperaturas muito altas, em torno de 800 ºC, e não podem ser depositados sobre qualquer tipo de material", acrescenta.

Apesar de ser muito duro, o DLC tem 30% a 40% da dureza do diamante, seu coeficiente de atrito é extremamente baixo. "Graças a essa característica, usamos o DLC no Inpe como lubrificantes sólidos, utilizados em satélites", contou Corat.

Até pouco tempo atrás, o lubrificante era importado. "Hoje, temos uma empresa nacional, a Fibraforte, que desenvolveu conosco o processo de deposição de DLC sobre as partes móveis do satélite, o que permitiu substituir a importação", disse.

Os esforços da equipe do projeto estão centrados também no estudo da adesão do DLC em aço e titânio. No caso do primeiro material, o interesse é desenvolver uma tecnologia que possa ser transferida para a indústria.

No caso do titânio, são para aplicações de interesse do Inpe, necessárias para o funcionamento de satélites. Em um dos estudos, os pesquisadores introduziram nanopartículas de diamante no DLC, melhorando propriedades desse material, como o coeficiente de atrito e resistência ao desgaste.

Fiocruz faz avanços em doença transmitida por caramujos

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), decifraram o perfil proteômico do parasita Angiostrongylus costaricensis.

Esse helminto causa uma inflamação intestinal aguda, conhecida como angiostrongilíase abdominal.

A doença, transmitida por moluscos terrestres, como o caramujo africano, tem difícil diagnóstico já que, por possuir uma sintomatologia pouco específica, pode ser confundida com outras helmintoses.

Os resultados recentes representam o primeiro passo na busca de proteínas candidatas para ensaios de diagnóstico e tratamento desta infecção.

Possíveis alvos

O trabalho descreve as proteínas mais abundantes expressas por estes parasitos, identificando parcialmente suas proteínas antigênicas - potenciais candidatas a alvos para o desenvolvimento de novas alternativas para o diagnóstico.

Até o momento, poucas análises concentraram suas atenções sobre o A. costaricensis, causador da angiostrongilíase abdominal.

Devido à ausência de ferramentas de diagnóstico, a angiostrongilíase abdominal é considerada uma doença sub-diagnosticada. O fato é que poucos médicos conhecem a doença.

Um dos últimos artigos assinados pelo pesquisador Henrique Leonel Lenzi, que faleceu em setembro deste ano, a pesquisa foi publicada no Journal of Proteomics.

Quando o tratamento faz mal

De acordo com Ana Gisele Ferreira, uma das autoras do estudo, um grande complicador no caso da angiostrongilíase abdominal é a falta de tratamento específico.

"Os anti-helmínticos utilizados para o tratamento da angiostrongilíase abdominal acabam sendo os mesmos normalmente empregados no tratamento de outras helmintoses", diz.

Infelizmente, em vez de matar o parasito a medicação tem efeito irritante sobre o A. costaricensis, fazendo com que ele migre das artérias mesentéricas, onde costuma se alojar, para outros órgãos.

Isto pode resultar em problemas mais sérios, como, por exemplo, tromboses.

Assim, o próprio tratamento com anti-helmínticos, por ser ineficaz contra o A. costarisensis, pode levar ao agravamento do quadro clínico do paciente.

Técnica brasileira detecta toxinas de bactérias na água

Em ambientes aquáticos é possível encontrar algumas espécies de bactérias que realizam fotossíntese e, por apresentarem clorofila e outros pigmentos, são comumente confundidas com microalgas.

Mas diferentemente das minúsculas algas, que possuem diversas aplicações industriais, essas bactérias, denominadas cianobactérias, produzem toxinas (microcistinas e nodularinas) altamente prejudiciais à saúde humana.

Para evitar graves riscos à saúde, essas toxinas precisam ser detectadas, identificadas e quantificadas rapidamente, principalmente em reservatórios de água.

Cromatografia

De modo a atender à demanda por esses testes no Brasil, pesquisadores do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro (SP), desenvolveram métodos rápidos e sensíveis para detecção de cianotoxinas diretamente de células de cianobactérias e de reservatórios de água por meio de espectrometria de massas.

De acordo com Humberto Márcio Santos Milagre, coordenador do projeto, um dos objetivos da pesquisa foi verificar se era possível realizar a identificação de variações das microcistinas a partir de cromatografia em camada delgada (TLC, da sigla em inglês) combinada com o método de ionização Maldi.

A técnica cromatográfica é considerada uma das mais simples e econômicas para separar e identificar visualmente os componentes de uma mistura. Entretanto, a identificação inequívoca dos compostos não é possível pelos métodos tradicionais de revelação e comparação com padrões de referência.

Em função disso, a TLC vem sendo combinada com a espectrometria de massas para realizar a identificação e elucidação estrutural de compostos de misturas complexas.

Utilizando a combinação de TLC com Maldi, os pesquisadores da Unesp conseguiram identificar e caracterizar microcistinas em padrões comerciais da bactéria e em diferentes amostras de água da represa Billings, em São Paulo, após a proliferação de cianobactérias.

Com isso, conseguiram comprovar a eficácia da técnica para detecção das toxinas produzidas por elas, as cianotoxinas.

Triste lembrança

"Nossa perspectiva é utilizar a técnica para realizar análises ambientais", disse Milagre. Após o estudo utilizando a técnica, o grupo partiu para a identificação das cianotoxinas diretamente das células de cianobactérias.

Utilizando cepas de duas bactérias produtoras da toxina, obtidas junto ao Instituto Pasteur e crescidas em biorreatores no Laboratório de Espectrometria de Massas da Unesp de Rio Claro, os pesquisadores identificaram microcistinas e nodularinas alguns dias depois de as cianobactérias permanecerem no meio de cultura.

"Essas bactérias se proliferam rapidamente em condições favoráveis e com isso produzem uma grande quantidade de metabólitos, além das microcistinas, que são dificilmente degradadas e altamente tóxicas", disse Milagre.

Milagre lembra de uma das maiores tragédias já causadas por microcistinas no Brasil, ocorrida na cidade de Caruaru, em Pernambuco.

Em 1996, 60 pacientes submetidos à hemodiálise em uma clínica na cidade nordestina morreram intoxicados pela hepatotoxina microcistina encontrada na água utilizada no procedimento médico, que foi recolhida por um caminhão-pipa de um reservatório de água contaminado pelas toxinas.

Cientistas querem criar medicamento que mate todos os vírus

Embora as vacinas contra a gripe tenham representado algum alívio para alguns, gripes e resfriados continuam sendo companhias muito incômodas para a grande maioria das pessoas.

Mas cientistas estão afirmando que os espirros, tosses e narizes congestionados, sem contar o mal-estar, logo poderão ser coisa do passado.

Tanto otimismo se justifica pelos últimos progressos sendo feitos rumo à criação de um novo tipo de medicamento, chamado antiviral.

Remédio antiviral

Da mesma forma que os antibióticos matam muitos tipos diferentes de bactérias, os antivirais poderão matar múltiplos vírus.

E, quanto falam em múltiplos vírus, os cientistas pensam desde nos vírus da gripe comum, até os muito mais ameaçadores, como os vírus causadores da hepatite e, possivelmente, até mesmo do Ebola e do HIV.

Isto poderia representar ainda o fim das epidemias - tanto das verdadeiras quanto das chamadas epidemias-susto - como a SARS e a gripe suína.

Como matar os vírus

Para fabricar os antivirais, Todd Rider e seus colegas do MIT (Massachusetts Institute of Technology) estão utilizando uma abordagem incomum.

Eles estão conectando duas proteínas naturais, uma que detecta o vírus e outra que age como uma chave suicida, matando a célula assim que a primeira detecta o vírus.

Eles batizaram seu candidato a medicamento de Draco.

Já o Dr. Leo James, da Universidade de Cambridge, descobriu que as células têm um sistema interno que caça e mata os vírus - até então se pensava que, uma vez que o vírus adentrava à célula, a infecção era inevitável.

A equipe agora está trabalhando na criação de drogas antivirais que possam se ligar ao próprio vírus, matando-o dentro da célula.

A equipe do Dr. Peter Palese, da Escola Médica Monte Sinai, parece estar mais adiantada: eles criaram uma droga antiviral que se mostrou eficaz contra o vírus da gripe, mas que ainda não é tão boa contra outros vírus.

Droga maravilhosa

Estas são apenas alguns exemplos das abordagens utilizadas. Ou seja, apesar dos progressos, os cientistas ainda não conseguem dizer exatamente como surgirá a solução mágica contra os vírus.

E, qualquer que seja o caminho, ainda há muitos desafios à frente.

Os vírus e as células humanas tornam-se intimamente ligados em uma infecção. Com isto, há muitos efeitos colaterais possíveis desses medicamentos.

O interferon, quando descoberto, nos anos 1950, foi tido como uma droga maravilhosa, um antiviral de amplo espectro.

Isto porque o interferon faz com que a célula infectada secrete um sinal de alerta para as outras células, permitindo que elas armem suas defesas naturais.

Entretanto, a droga também aciona o sistema imunológico, que envia glóbulos brancos para atacar a infecção, causando inflamações na área, febre e dores.

O interferon - na verdade uma classe de drogas, os interferons - ainda é usado para combater doenças graves, como o vírus da hepatite C. Mas trate uma gripe com interferon e o remédio literalmente lhe fará sentir-se pior do que a gripe o faria.

Draco

De todas as abordagens adotadas até agora contra os vírus, a Draco é a que desperta os maiores entusiasmos e as maiores críticas.

Como o interferon, a Draco também é uma proteína, com potencial para provocar uma resposta imunológica.

Isto pode ser ainda mais problemático no caso de um segundo tratamento.

Mas, pelo menos em camundongos, até agora a Draco não mostrou nenhuma resposta imunológica.

Como a Draco funciona

As proteínas naturais em uma célula infectada detectam a presença de um vírus - essas proteínas são sensíveis ao RNA, uma molécula genética única e presente em praticamente todos os vírus.

Os pesquisadores pegaram uma dessas proteínas naturais e ligaram-na a outra proteína natural, também presente em todas as células, que aciona a apoptose, a morte programada da célula.

Uma vez aplicada, a droga vai a todas as células no corpo, mas somente se torna ativa nas células infectadas.

Em uma questão de horas, a parte sensível ao RNA da droga detecta o vírus e faz a célula se suicidar. Quando a célula hospedeira morre, o vírus também morre.

Fonte: BBC

Equipamento portátil detecta lesão cerebral em um minuto

Acaba de ser aprovado o uso do primeiro equipamento portátil para avaliação de trauma cerebral.

A FDA, órgão de saúde dos Estados Unidos, equivalente à Anvisa no Brasil, aprovou o equipamento, que agora começará a ser fabricado em escala industrial.

Isto é essencial para que as autoridades de saúde de outros países avaliem o equipamento e possam eventualmente aprovar seu uso.

Exame na hora

A detecção rápida de hemorragias ou lesões cerebrais é essencial para que o paciente não sofra sequelas graves, recebendo tratamento adequado.

O equipamento portátil permitirá que o exame seja feito no próprio local de um acidente, ou enquanto o paciente se desloca para o hospital em uma ambulância.

"Quando ocorre uma lesão cerebral, cada minuto pode determinar o risco de uma pessoa sofrer uma lesão mais grave ou morrer devido a uma hemorragia cerebral," afirmou a Dra. Theresa Rankin, que chefiou a equipe que desenvolveu o equipamento.

Tomografia computadorizada portátil

O equipamento portátil de detecção de lesões cerebrais será comercializado com o nome de Infrascanner.

Segundo a Dra. Rankin, será como ter um equipamento de tomografia computadorizada totalmente portátil.

O aparelho, alimentado por baterias, identifica hematomas intracranianos logo após a ocorrência do acidente.

O exame dura menos de um minuto, e o resultado depende da cor da luz que se acende no aparelho: uma luz vermelha indica a ocorrência da hemorragia.

Um indicador de intensidade relata também se a hemorragia está aumentando ao longo do tempo.