O vice-presidente da Argentina, Julio Cobos, rejeitou na madrugada desta quinta-feira (17), após votação empatada no Senado, a aprovação do projeto de lei que aumenta os impostos cobrados para exportação de grãos.
Produtores agrícolas e apoiadores do governo se enfrentam há mais de quatro meses por conta da intenção presidencial de aumentar a taxação das exportações de trigo e soja.
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, tenta negociar com os ruralistas, mas não tem obtido sucesso.O projeto de lei encaminhado por Kirchner havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados da Argentina em primeira discussão, no dia 5, por 129 votos a 122. Já na tramitação no Senado, o projeto foi rejeitado pelo voto de minerva do vice-presidente Cobos.
"Não creio que sirva uma lei que não dá solução a este conflito. A história me julgará. Não sei como. Não posso concordar e isto não significa que estou traindo nada. Estou agindo de acordo com as minhas convicções", disse o vice-presidente da Argentina, Julio Cobos, antes de anunciar seu voto em pronunciamento transmitido ao vivo pelo canal "Todo Notícias" da Argentina.
Ele mencionou que a presidência tem agora a chance de enviar um novo projeto que contemple "todas as contribuições que foram feitas" na discussão parlamentar. "Que a história me julgue, peço perdão se estou errado. Meu voto é a não-aprovação", anunciou Cobos.
A decisão de Cobos, que também é o presidente do Senado argentino, foi o voto de minerva que resolveu o impasse. Coube ao vice-presidente argentino a palavra final, porque a votação dos senadores terminou empatada mesmo após mais de 12 horas de discussão com a presença de todos os 72 senadores. Foram 36 votos a favor da aprovação e 36 contra. O impasse só terminou por volta das 4h30 desta quinta (17).
Com o veto no Senado, o projeto volta para a Câmara dos Deputados da Argentina para nova votação. O governo Kirchner esperava que a lei fosse aprovada na votação desta quarta-feira (16).
O presidente da Federação Agrária, Eduardo Buzzi, elogiou "a coragem e a ação democrática" de Cobos.Durante a noite de quarta e a madrugada de quinta, foram ouvidos em vários bairros de Buenos Aires "panelaços" contra o governo e a favor da postura dos produtores agrários, e as manifestações continuaram após o resultado.
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