quinta-feira, 17 de julho de 2008

Senado da Argentina veta aumento de imposto para exportação de grãos

O vice-presidente da Argentina, Julio Cobos, rejeitou na madrugada desta quinta-feira (17), após votação empatada no Senado, a aprovação do projeto de lei que aumenta os impostos cobrados para exportação de grãos.

Produtores agrícolas e apoiadores do governo se enfrentam há mais de quatro meses por conta da intenção presidencial de aumentar a taxação das exportações de trigo e soja.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, tenta negociar com os ruralistas, mas não tem obtido sucesso.

O projeto de lei encaminhado por Kirchner havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados da Argentina em primeira discussão, no dia 5, por 129 votos a 122. Já na tramitação no Senado, o projeto foi rejeitado pelo voto de minerva do vice-presidente Cobos.

"Não creio que sirva uma lei que não dá solução a este conflito. A história me julgará. Não sei como. Não posso concordar e isto não significa que estou traindo nada. Estou agindo de acordo com as minhas convicções", disse o vice-presidente da Argentina, Julio Cobos, antes de anunciar seu voto em pronunciamento transmitido ao vivo pelo canal "Todo Notícias" da Argentina.

Ele mencionou que a presidência tem agora a chance de enviar um novo projeto que contemple "todas as contribuições que foram feitas" na discussão parlamentar. "Que a história me julgue, peço perdão se estou errado. Meu voto é a não-aprovação", anunciou Cobos.

Mais de 12 horas de discussão

A decisão de Cobos, que também é o presidente do Senado argentino, foi o voto de minerva que resolveu o impasse. Coube ao vice-presidente argentino a palavra final, porque a votação dos senadores terminou empatada mesmo após mais de 12 horas de discussão com a presença de todos os 72 senadores. Foram 36 votos a favor da aprovação e 36 contra. O impasse só terminou por volta das 4h30 desta quinta (17).

Com o veto no Senado, o projeto volta para a Câmara dos Deputados da Argentina para nova votação. O governo Kirchner esperava que a lei fosse aprovada na votação desta quarta-feira (16).

O presidente da Federação Agrária, Eduardo Buzzi, elogiou "a coragem e a ação democrática" de Cobos.

Durante a noite de quarta e a madrugada de quinta, foram ouvidos em vários bairros de Buenos Aires "panelaços" contra o governo e a favor da postura dos produtores agrários, e as manifestações continuaram após o resultado.

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