
Para o adolescente que não quer ser identificado tudo começou como uma diversão. Porém, acabou se tornando dependência. “Você não sente necessidade de comer, é bizarro”, admite.
Vida transformada
O vício em internet transformou a vida do estudante. Foram três anos jogando. Isso o fez abandonar a faculdade e o emprego. “É como se você entrasse em êxtase. Você simplesmente sai do seu corpo, e só volta quando vê que o tempo acabou. Tipo … está de dia, você olha e está de noite”, compara.
Mas descobrir se um adolescente está viciado em computador pode ser difícil. Isso porque usar a internet várias vezes ao dia nessa idade, para estudar, bater papo e até mesmo jogar, é até comum.
“Não é raro nós ouvirmos os pacientes dizerem: ‘quando eu vou pra internet meus problemas desaparecem’. Isso faz com que o uso se torne cada vez mais aumentado e as experiências do dia-a-dia acabam sendo diminuídas”, diz o psiquiatra Cristiano Nabuco, especialista em comportamentos impulsivos e coordenador do tratamento no HC.
Serão 15 vagas no período da manhã. Por enquanto, apenas quatro adolescentes foram selecionados. Os interessados devem ter disponível o período da manhã, quando vão ocorrer as sessões semanais de psicoterapia durante quatro meses e meio. O tratamento é gratuito e não prevê internações ou privação de liberdade.
O estudante Tiago Camargo Teixeira conseguiu superar o vício em jogos on-line por conta própria. Mas sofreu uma perda: viu um relacionamento acabar. A namorada o abandonou porque ele ficava até dez horas no computador. “Ela me deixou por causa do jogo. Ela não suportou”, contou.
De acordo com os especialistas, alguns sintomas ajudam a identificar o viciado em computadores: preocupação excessiva em estar conectado, abalos ou nervosismo quando não se navega na internet, perda da noção do tempo, mentiras do número de horas on-line e riscos de desemprego e perda de amigos.
Para Nabuco, a saída não é afastar o jovem da internet e dos jogos, mas ajudá-lo a superar, especialmente a timidez e a depressão. “A idéia definitivamente não seria jogar o computador pela janela. A preocupação maior é fazer com que esse usuário comece a perceber quais seriam os mecanismos que estariam por detrás desse uso excessivo”, diz o psiquiatra.
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