sexta-feira, 1 de julho de 2011

Descoberta rede de computadores zumbis praticamente indestrutível

Especialistas em segurança descobriram uma rede de "computadores zumbi" - também chamada de "botnet" - que infectou mais de 4 milhões de computadores e é quase "indestrutível".

A rede "botnet" - termo que define uma série de computadores infectados e controlados remotamente por meio de um vírus - conhecida como TDL, tem como alvo as máquinas que usam o sistema operacional Windows e é muito difícil de ser detectada e fechada.

O código que sequestra os computadores para o uso nessa rede se esconde em locais em que os programas de segurança raramente fazem buscas. Além disso, a rede é controlada com um sistema de criptografia criado exclusivamente para ela.

Vírus TDL

Cerca de 4,5 milhões de computadores foram infectados por esta rede "botnet" nos últimos três meses, depois do surgimento de uma quarta versão do vírus TDL.

Recentes fechamentos de outras redes semelhantes fizeram com que os controladores da rede TDL a tornassem mais difícil de investigar.

Os pesquisadores Sergey Golovanov e Igor Soumenkov fizeram uma análise detalhada do vírus e escreveram um relatório para a companhia de segurança Kasperky. Segundo eles, as mudanças do TDL-4 fizeram com que essa versão do vírus seja a "ameaça mais sofisticada da atualidade".

"Os donos do TDL estão, essencialmente, tentando criar uma botnet 'indestrutível' que é protegida contra ataques, competidores e companhias de antivírus", escreveram os especialistas.

Vírus polivalente

Recentes operações recentes e bem-sucedidas de companhias de segurança online e de ciberinvestigadores alvejaram as redes "botnet". Com isso, o nível de envio de spam caiu cerca de 75%, segundo análises da Symantec.

No caso das redes "botnet", além de permitir o uso remoto dos computadores infectados, os controladores dessas redes também roubam informações dos computadores das vítimas ou usam esses computadores para enviar spam ou fazer outros ataques.

O vírus TDL, por sua vez, se espalhou por meio de sites com armadilhas e infecta um computador ao explorar seus pontos vulneráveis. O vírus foi encontrado em sites de pornografia e filmes piratas, além de sites que deixam os usuários guardar vídeos e arquivos de imagem.

Contra-ataque

A maioria das vítimas do vírus (28%) está nos Estados Unidos, mas há também usuários infectados na Índia (7%) e na Grã-Bretanha (5%). Cerca de 3% foram encontrados na França, na Alemanha e no Canadá.

"Para todos os interesses e propósitos, (a TDL-4) é muito difícil de remover", afirmou Joe Stewart, diretor de pesquisa na Dell SecureWorks. "É, definitivamente, uma das 'botnets' mais sofisticadas que existe."

No entanto, toda a sofisticação da TDL-4 pode ajudar na tentativa de derrubá-la, segundo os pesquisadores da Kaspersky, que encontraram problemas em seu código complexo.

Os problemas permitem que os pesquisadores sondem as bases de dados, para saber quantas infecções do TDL-4 ocorreram, e também ajudam os especialistas a investigar quem são os criadores da rede.

Fonte: BBC

Pele robótica é construída célula por célula

Um pesquisador alemão apresentou as primeiras "células" de um novo conceito de pele artificial para robôs.

O objetivo é fornecer informações táteis para um robô e, assim, completar a sua "percepção", sobretudo a sua visão artificial, suprida pelos "olhos" das câmeras.

Tal como acontece com a pele humana, quando tocada, a pele artificial poderá, por exemplo, simular um ato reflexo do robô, fazendo-o afastar-se, ou gerar um movimento espontâneo, fazendo com que a máquina use seus olhos-câmera para procurar e identificar a fonte de contato.

Esse tipo de comportamento é especialmente importante para robôs assistentes, ajudantes robóticos de pessoas idosas ou mesmo de robôs exploradores, ajudando a reconhecer novos ambientes.

Células artificiais

A peça central da nova pele robótica é uma placa hexagonal de circuito impresso de 5 centímetros quadrados, que faz as vezes de uma célula da pele artificial.

Para simular o sentido do tato, cada placa contém quatro sensores infravermelhos, que detectam qualquer coisa que se aproxime a menos do que 1 centímetro.

"Nós, portanto, simulamos o toque", explica Philip Mittendorfer, da Universidade Técnica de Munique. "Isso corresponde a um toque suave nos pêlos em nossa pele."

Há também seis sensores de temperatura e um acelerômetro em cada placa hexagonal.

Isso permite que a máquina registre com precisão o movimento dos seus membros individuais, por exemplo, de seus braços e, assim, saiba quais partes do seu próprio corpo acabaram de se mover - úteis quando os membros robóticos são movidos por um impacto ou por uma ação externa.

"Nós tentamos integrar várias modalidades sensoriais diferentes no menor espaço possível," explica o engenheiro. "Além disso, é fácil expandir as placas de circuito para incluir outros sensores, por exemplo, sensores de pressão."

Pele robótica

A ideia é miniaturizar as placas, que poderão então ser colocadas lado a lado, formando uma pele com uma estrutura em formato de favo de mel.

Os sinais de cada uma das células dessa pele robótica serão enviados para o computador central do robô, que fará as vezes do seu cérebro, por meio das células adjacentes.

Isso permitirá que os sinais viajem por rotas alternativas se alguma conexão falhar.

Por enquanto, está pronto apenas um pequeno pedaço da pele robótica. Estes 15 sensores, no entanto, pelo menos um em cada segmento de um braço robótico, já mostram que o princípio funciona.

Apenas um tapinha leve é suficiente para fazer o braço robótico reagir.

O próximo passo é cobrir inteiramente a superfície do braço robótico com as células sensoriais, formando uma pele artificial completa, dando ao robô uma sensação completa de toque, mesmo no escuro.

Cientistas geram campo magnético mais forte do mundo

Engenheiros alemães bateram um novo recorde mundial para os campos magnéticos, ao alcançar a marca dos 91,4 teslas.

Bobina explosiva

Para alcançar este recorde, Sergei Zherlitsyn e seus colegas do Centro Helmholtz desenvolveram uma bobina pesando aproximadamente 200 quilogramas.

Ao percorrer a bobina, uma fortíssima corrente elétrica cria o campo magnético - por um período de alguns milissegundos, sob pena de explodir a própria bobina.

Felizmente, durante o experimento, a bobina sobreviveu.

O campo magnético influencia a própria corrente elétrica que o gera, tentando empurrar a corrente elétrica para fora da bobina. Quanto mais forte a corrente flui, mais fortes são essas forças.

"A 25 tesla, o cobre seria dilacerado," explica Joachim Wosnitza, que construiu a bobina.

Para comparação, um ímã de geladeira comum tem 0,05 tesla.

Ciência dos materiais

"Apesar do recorde, não estamos realmente muito interessados em alcançar valores de campo cada vez mais altos, mas sim em usá-los para a pesquisa em ciência dos materiais", explica o pesquisador.

Quanto mais poderosos forem os campos magnéticos, mais precisamente os cientistas poderão estudar novos materiais para a construção de componentes eletrônicos inovadores, ou os chamados supercondutores, que conduzem eletricidade sem qualquer resistência.

Técnicas assim permitiram que a mesma equipe fizesse com que o semicondutor germânio se tornasse supercondutor a temperatura ambiente:

Chips supercondutores poderão se tornar realidade

Os teóricos estimam que o estudo e a manipulação precisa desses novos materiais exigirão campos magnéticos entre 90 e 100 teslas.

"A 100 teslas, porém, a força de Lorentz no interior do cobre poderia gerar uma pressão que equivale a 40.000 vezes a pressão do ar ao nível do mar," calcula Wosnitza.

Uma força assim destruiria o cobre de forma instantânea, em uma explosão.

Super bobina

Por isso, para construir suas bobinas, os pesquisadores usam ligas de cobre especiais, capazes de suportar 10 mil vezes a pressão atmosférica.

Ainda muito pouco, contudo - apenas um quarto do necessário para alcançar os 100 teslas.

A primeira saída encontrada foi unir os fios de cobre da bobina com fibras sintéticas de carbono, usadas em coletes à prova de balas, que pressionam o cobre de fora para dentro.

Isso permite construir uma bobina que alcança por volta de 50 teslas.

Para obter os 91,4 teslas do maior campo magnético já gerado, os pesquisadores construíram duas bobinas, colocando uma dentro da outra.

Ainda assim, o aparato só funciona durante alguns milissegundos, consumindo a energia fornecida por um gigantesco banco de capacitores.

Astrônomos descobrem o quasar mais distante já visto

Uma equipe de astrônomos europeus utilizou o Very Large Telescope, do ESO, juntamente com outros telescópios, para descobrir e estudar o quasar mais distante encontrado até hoje.

Este farol brilhante, cujo motor é um buraco negro com uma massa dois bilhões de vezes maior que a do Sol, é sem dúvida o objeto mais brilhante descoberto no Universo primitivo. Os resultados deste estudo sairão em 30 de Junho na revista Nature.

"Este quasar é uma importante sonda do Universo primitivo. É um objeto muito raro, que nos ajudará a compreender como é que os buracos negros de massa extremamente elevada cresceram algumas centenas de milhões de anos depois do Big Bang," diz Stephen Warren, o líder da equipe.

Farol cósmico

Os quasares são galáxias muito distantes e brilhantes que se acredita serem alimentadas por buracos negros de grande massa situados no seu centro.

O seu brilho os torna poderosos faróis que podem ajudar a investigar a época do Universo em que estavam se formando as primeiras estrelas e galáxias. O quasar recém-descoberto encontra-se tão distante que a radiação agora captada foi emitida na última fase da era da reionização.

O quasar ULAS J1120+0641 agora nos aparece, portanto, tal como ele era apenas 770 milhões de anos depois do Big Bang - um desvio para o vermelho de 7.1. A sua radiação levou 12,9 bilhões de anos para chegar até nós.

Embora objetos mais distantes tenham já sido observados (Hubble encontra a galáxia mais distante já observada), este quasar recém-descoberto é centenas de vezes mais brilhante que estes objetos. Entre os objetos suficientemente brilhantes para poderem ser estudados em detalhe, este é claramente o mais distante.

Desvio para o vermelho

O quasar mais distante depois deste é observado tal como era 870 milhões de anos depois do Big Bang (desvio para o vermelho 6,4). Objetos similares mais longínquos não podem ser observados em rastreios efetuados no visível, uma vez que a sua radiação, esticada devido à expansão do Universo, cai essencialmente na região infravermelha do espectro.

O rastreio europeu profundo no infravermelho, UKIDSS (sigla do inglês European UKIRT Infrared Deep Sky Survey), que utiliza o telescópio infravermelho do Reino Unido, situado no Hawaii, foi concebido para resolver este problema.

Uma equipe de astrônomos procurou, dentro da base de dados de milhões de objetos do UKIDSS, aqueles corpos celestes que poderiam ser quasares distantes há muito procurados. Esta busca finalmente deu resultados.

"Demoramos cinco anos para encontrar este objeto," explica Bram Venemans, um dos autores deste trabalho. "Estávamos à procura de um quasar com um desvio para o vermelho maior que 6,5. Encontrar um que está tão longe, com um desvio para o vermelho maior que 7, foi uma surpresa fantástica. Este quasar permite um olhar profundo à era da reionização, fornecendo-nos assim uma oportunidade para explorar uma janela de 100 milhões de anos na história do cosmos, janela essa que se encontrava anteriormente fora do nosso alcance."

Contra as teorias

A distância do quasar foi determinada a partir de observações obtidas com o instrumento FORS2, montado no Very Large Telescope do ESO (VLT) e instrumentos montados no Telescópio Gemini Norte.

Uma vez que este objeto é relativamente brilhante, é possível obter um espectro da radiação por ele emitida (o que corresponde a separar a radiação nas suas diversas componentes em função da cor). Esta técnica permitiu aos astrônomos obter muita informação sobre o quasar.

Estas observações mostraram que a massa do buraco negro no centro do ULAS J1120+0641 é cerca de dois bilhões de vezes maior que a do Sol. Uma massa tão elevada é difícil de explicar numa época tão primitiva do Universo.

As teorias correntes para o crescimento de buracos negros de massa extremamente elevada predizem um aumento lento da massa à medida que o objeto compacto atrai matéria do seu meio circundante.

Caneta eletrônica desenha circuitos flexíveis à mão

Com o advento da eletrônica orgânica está cada vez mais fácil imprimir circuitos eletrônicos.

Usando as técnicas microfluídicas desenvolvidas para as impressoras jato de tinta, é possível usar tintas condutivas para imprimir os circuitos em materiais flexíveis, como o plástico.

Mas a equipe da Dra. Jennifer Lewis, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, quer ainda mais liberdade.

Lewis e seus colegas desenvolveram uma caneta que permite literalmente escrever os circuitos elétricos e interconexões para componentes eletrônicos à mão livre.

Desenhando circuitos eletrônicos

Obviamente, não faz muito sentido desenhar a placa de circuito impresso de um computador à mão, se há programas e equipamentos para fazer isso automaticamente.

Mas, em tempos de computação ubíqua - computadores por toda parte - e roupas inteligentes, será comum querer colocar um LED ou uma célula solar em um ponto específico da casa, da roupa e até de um quadro.

E isto é algo que poderá ser feito muito mais rapidamente e com custo baixíssimo se estiver à mão uma caneta capaz de "desenhar" as conexões elétricas para os componentes eletrônicos ou fazer as antenas para sensores e equipamentos sem fios.

"A impressão com uma caneta permite construir dispositivos eletrônicos à medida que são necessários," afirma Lewis. "Este é um passo importante para a 'fabricação pessoal' usando ferramentas facilmente disponíveis e de baixo custo."

Tinta eletrônica

A "caneta eletrônica" é uma caneta comum, de esfera, preenchida com uma tinta eletrônica que a equipe vem desenvolvendo há anos.

A tinta condutora é feita a partir de nanopartículas de prata, produzidas em solução através da redução do nitrato de prata. O poli-ácido acrílico é usado para evitar que as nanopartículas fiquem muito grandes.

Os pesquisadores então removem o ácido e ajustam a viscosidade da tinta adicionando hidroxietilcelulose. Depois, é só colocá-la no depósito de tinta da caneta.

O grupo testou sua tinta e sua caneta conectando LEDs em uma pintura sobre tecido e construindo antenas totalmente funcionais para equipamentos de radiofrequência, como as usadas em dispositivos wireless.

A caneta eletrônica escreve sobre vários tipos de material, incluindo papel, plástico, madeira, cerâmica e tecido.

Microflexíveis

Os circuitos escritos sobre papel continuaram funcionais mesmo depois de o papel ser flexionado centenas de vezes.

Dependendo do material onde o componente é impresso pode ser necessário acrescentar cola para garantir a firmeza da fiação escrita com a caneta.

A seguir, a equipe planeja desenvolver novas tintas para permitir que a impressão de circuitos elétricos e eletrônicos possa incluir outros materiais condutores de elétrons e de íons.

O grupo da Dra. Lewis já desenvolveu várias tecnologias nesta área, incluindo canais tridimensionais que imitam o sistema vascular, um sistema que fabrica peças tridimensionais microscópicas e células solares tridimensionais usando uma técnica de nano-origami.

Balança mais precisa do mundo vai medir um zeptograma

Ela será a balança mais precisa do mundo, capaz de pesar 1 zeptograma.

Um zeptograma equivale a 10-21 gramas.

Nessa escala, até mesmo a nanotecnologia parece lidar com dimensões gigantescas - abaixo do nano (10-9), vêm pico (10-12), femto (10-15), atto (10-18) e só então o zepto (10-21).

Zepto-balança

Jin-Jin Li e Ka-Di Zhu, da Universidade de Shanghai, na China, acreditam ser possível atingir tal nível de precisão eliminando os fios e usando apenas luz para fazer as medições.

A técnica é uma combinação de várias ferramentas em nanoescala que já foram demonstradas separadamente.

O coração da zepto-balança é uma minúscula barra vibratória, que muda sua frequência de vibração quando é tocada pelo objeto a ser medido - uma fita de DNA, por exemplo.

As melhores nanobalanças atuais usam fios para fazer a medição dessa frequência.

Mas os fios acabam drenando uma parte da energia pelo aquecimento, diminuindo a eficiência do sistema a frequências muito altas.

Balança óptica

Os pesquisadores chineses afirmam que é possível aumentar muito a precisão eliminando esses fios, e tirando proveito de nuvens de elétrons que se formam na superfície de metais, os chamados plásmons de superfície.

Isso permitirá o uso de um laser para medir com precisão a alteração na frequência de vibração da barra central da balança.

Para isso será necessário adicionar um ponto quântico no centro da nanobarra vibratória. Um ponto quântico tem uma série de níveis de energia, similares aos dos átomos, que variam com a vibração da nanobarra.

Uma técnica padrão de laser permitiria ler os níveis de energia do ponto quântico, mas os cientistas afirmam que a precisão não seria a desejada.

Plásmons de superfície

Para aumentar a precisão, os pesquisadores propõem inserir uma nanopartícula de ouro acima do ponto quântico, para que seus elétrons interajam com a nuvem de elétrons superficiais do metal.

Essa interação gera plásmons de superfície de uma única frequência, determinada pelos níveis de energia do ponto quântico, por sua vez determinados pela vibração da nanobarra, finalmente, determinada pela massa do objeto.

Desta forma, a massa do objeto a ser pesado pode ser determinada verificando a alteração na frequência da linha espectral dos plásmons.

Por exemplo, pesar uma molécula de DNA de uma bactéria E.coli fará o pico da linha espectral passar de 1,2 GHz, que é a frequência da barra sozinha, para 1,200575 GHz.

Descobertos genes que impedem morte de células cancerígenas

Diferentemente de uma célula sadia, uma célula cancerígena não entra em senescência, ou seja, ela não envelhece.

Uma nova pesquisa, com resultados publicados nesta sexta-feira na revista Science, identificou dois genes que estão envolvidos nessa maior durabilidade das células cancerígenas.

O estudo foi feito por cientistas nos Estados Unidos em parceria com duas cientistas brasileiras: a pesquisadora Sueli Mieko Oba-Shinjo e a professora Suely Kazue Nagahashi Marie, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Encurtamento dos telômeros

O envelhecimento celular é determinado pelo mecanismo molecular caracterizado pelo encurtamento do telômero - parte da sequência de DNA que protege as extremidades dos cromossomos.

Nesse mecanismo, os telômeros ativam a enzima telomerase, que provoca seu encurtamento. Mas isso não ocorre em células cancerígenas, uma vez que elas não produzem essa enzima.

O estudo revela uma nova via em células cancerígenas - independente da telomerase - para a manutenção do comprimento do telômero.

O trabalho identificou, por meio de uma técnica de marcação histológica molecular chamada "hibridização in-situ com marcadores fluorescentes específicos de telômeros" (FISH, em inglês), dois genes encontrados com alta frequência em tumores, denominados ATRX e DAXX.

Esses genes são responsáveis por manter o comprimento dos telômeros, evitando o envelhecimento das células cancerígenas.

Mutações genéticas

"Alguns dos mecanismos das células cancerosas são o aumento da proliferação, da migração e a ausência da apoptose [morte celular programada ou renovação celular]", disse Marie.

Segundo ela, nos genes ATRX e DAXX foram detectadas mutações - por sequenciamento ou por imunomarcação - em alguns tipos de câncer. "Todos os genes com uma grande alteração na sequência tinham o telômero mais preservado, o que justifica um dos mecanismos do processo de câncer", contou.

Essa mutação foi detectada pela primeira vez em carcinomas de pâncreas, como descreve o artigo na Science. Mas o grupo também identificou a mutação em outros 447 tipos de câncer, entre deles o glioblastoma multiforme - tumor maligno que ataca o sistema nervoso central e atinge tanto crianças como adultos - e o oligodendroglioma - que também ataca o sistema nervoso e tem origem na célula oligodendroglial.

Evitar o crescimento do tumor

Para os pesquisadores, o objetivo a ser atingido com esses marcadores é o de detectar a doença o quanto antes para que seja possível evitar o crescimento do tumor sólido.

"Essas são mutações genéticas que só existem nos tumores. Se conseguirmos rastreá-las durante a evolução do paciente será possível saber, precocemente, se o tumor voltou ou se está crescendo", disse Marie.

Esse conhecimento poderá ser aplicado em novas terapias contra o câncer.