"É uma notícia muito boa, muito empolgante. A infecção dos macacos resos por SIV é o melhor modelo da Aids que temos hoje, embora precisamos de mais estudos para saber se teremos o mesmo resultado com pessoas", declarou em teleconferência Ashley Haase, do Departamento de Microbiologia da Universidade de Minnesota. Haase é um dos coordenadores do teste, publicado em artigo na edição desta semana da revista científica "Nature".
O pesquisador e seus colegas empregaram o monolaurato de glicerol, ou GML, na sigla inglesa. A substância é muito utilizada pela indústria como emulsificante e também impede o crescimento de uma série de microrganismos, mas o que despertou o interesse dos cientistas é seu papel anti-inflamatório. "Sabíamos que a inflamação dos órgãos genitais desempenha um papel na infecção por HIV e SIV. Então pensamos que, se fosse possível manipular isso, acharíamos uma maneira de deter a infecção", explica Haase.
Feitiço contra o feiticeiro
Na verdade, o que acontece durante o ataque desses vírus é que eles tomam partido da reação do organismo para se espalhar ainda mais. Segundo os pesquisadores, a primeira invasão da mucosa vaginal, após a relação sexual com alguém infectado, provoca um início de resposta inflamatória. Os vírus tendem a se alojar num tipo de célula de defesa, os linfócitos T CD4.
Conforme o corpo tenta se defender da infecção, mais e mais linfócitos T CD4 são enviados para o local, o que acaba multiplicando o número de células invadidas pelo vírus (SIV ou HIV). No fim das contas, quanto mais o organismo tenta combater a invasão, mais brechas ele acaba abrindo diante dos parasitas.
A estratégia aplicada pelos pesquisadores contraria esse fenômeno ao reduzir o processo inflamatório na vagina e no colo do útero das macacas. Eles misturaram o anti-inflamatório ao gel lubrificante KY e o aplicaram nos animais. Das cinco macacas testadas, nenhuma pareceu ser infectada na hora, embora uma delas tenha desenvolvido uma infecção seis meses depois. "É bem provável que o resultado positivo seja igual em humanos, mas só mais testes vão dizer isso", ressalta Patrick Schlievert, co-autor do estudo.
Fonte: G1
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