sexta-feira, 22 de junho de 2012

Semente de pitanga possui composto ativo contra leishmaniose

Um extrato da semente de pitanga inibe a atividade da enzima arginase, associada ao metabolismo e à reprodução da Leishmania amazonensis, protozoário causador da leishmaniose.

A descoberta foi feita por pesquisadores da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, em Pirassununga.

As sementes são um resíduo não aproveitado pela indústria de alimentos e correspondem a 31% do peso total da fruta.

O extrato poderá ser utilizado na produção de fármacos contra a leishmaniose, doença que atinge a população de países tropicais e subtropicais.

Extrato supercrítico

A arginase permite à Leishmania produzir uma substância antioxidante (tripanotiona) que neutraliza o óxido nítrico e outros radicais livres produzidos pelos macrófagos, células de defesa do organismo de animais e seres humanos.

"Os protozoários, na forma promastigota (etapa do ciclo evolutivo), invadem os macrófagos para se reproduzirem", diz a pesquisadora Débora Nascimento e Santos. "Os macrófagos, como defesa, produzem substâncias que eliminam a Leishmania, as quais são neutralizadas indiretamente pela atividade da arginase".

Os pesquisadores extraíram da semente de pitanga o chamado extrato supercrítico, que é obtido com adição de solvente em condições críticas de temperatura e pressão, formando um gás, depois convertido em líquido.

Ação antimicrobiana

A pesquisa também revelou que o extrato da semente de pitanga possui ação antioxidante e antimicrobiana.

"A atividade antimicrobiana também apresentou excelentes resultados", ressalta Débora. "Com esses resultados em mãos, agora é possível caminhar no sentido de chegar ao grupo de substâncias que exercem bioatividade no extrato supercrítico".

Quanto à possível utilização do extrato na produção de fármacos, Débora aponta que é cada vez mais frequente o lançamento de medicamentos a partir de produtos naturais, mas entraves, como custo elevado e dificuldade de purificação, ainda são fatores que limitam essa alternativa em relação aos fármacos sintéticos.

"Partindo de um extrato natural sem solvente, como é o caso do extrato supercrítico, até o medicamento final, testes de letalidade, toxicidade aguda e crônica, estabilidade e vida útil deveriam ser realizados", ressalta. "Tudo isso em parceria com pesquisadores dessas áreas de estudo".

Fonte: Agência USP

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