"Nosso sintetizador automatizado é agora o método mais rápido para a produção de carboidratos complexos," explicou Peter H. Seeberger, do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça.
O equipamento é capaz de sintetizar as complexas moléculas em algumas horas, um processo que hoje leva meses ou até anos. Atualmente, os cientistas precisam trabalhar, na maioria das vezes, com moléculas isoladas a partir da natureza.
Glicoquímica e Glicobiologia
Os cientistas que tentavam sintetizar moléculas de DNA ou proteínas tinham esse mesmo problema até cerca de 10 anos atrás, até a invenção dos sintetizadores automáticos de proteínas e DNA. Foram esses equipamentos que permitiram a verdadeira revolução que está ocorrendo na genômica e na proteômica.
A biofábrica de carboidratos fará a mesma coisa para campos de pesquisas emergentes e ainda desconhecidos do grande público, como a glicoquímica e a glicobiologia - os nomes são derivados das longas cadeias de carboidratos chamadas glicanos.
Carboidratos
"O sintetizador automatizado junta os açúcares, os blocos básicos dos carboidratos, como as contas em um colar," diz Seeberger.
Os carboidratos desempenham um papel crucial no sistema imunológico, especialmente nas defesas do corpo contra vírus e bactérias causadores de doenças.
A maioria desses micróbios tem carboidratos marcadores únicos em suas superfícies. O sistema imunológico reconhece esses carboidratos como elementos estranhos e cria anticorpos que iniciam uma resposta imunológica para combater a infecção.
Vacina contra a malária
"As vacinas 'educam' o sistema imunológico para reconhecer moléculas específicas na superfície dos organismos infecciosos," explica Seeberger. "O sintetizador nos permitirá fazer não apenas uma, mas muitas estruturas de carboidratos de um organismo em particular e testá-las para ver se elas protegem contra os microorganismos."
Os carboidratos sintéticos que se mostrarem mais promissores, com maiores qualidades protetoras para o organismo, poderão se tornar a base para novas vacinas.
A equipe de Seeberger já está utilizando o equipamento para desenvolver uma vacina contra a malária. Eles descobriram um carboidrato na superfície do P. falciparum, o parasita causador da malária que permite que ele infecte os glóbulos vermelhos humanos, resolvendo o mistério de como ocorre o processo de infecção da malária.
Fonte: Diário da Saúde
Nenhum comentário:
Postar um comentário