quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Cientistas criam células-tronco a partir do líquido amniótico

Cientistas do Instituto Max Planck, na Alemanha, conseguiram pela primeira vez converter células do líquido amniótico em células-tronco pluripotentes.

Essas células-tronco induzidas (iPS), derivadas do líquido amniótico, são difíceis de distinguir das células-tronco embrionárias.

E elas têm uma característica inusitada: elas se "lembram" de onde vieram.

Células iPS

As habilidades especiais das células-tronco embrionárias começam a ser usadas para cultivar múltiplas linhagens de células - por exemplo, células da pele ou células do cabelo.

Isto é feito mediante a reprogramação das células, convertendo-as em "células-tronco pluripotentes induzidas" - também chamadas de células iPS (induced Pluripotent Stem).

As células iPS possuem as propriedades típicas das células-tronco embrionárias, o que significa que elas podem gerar qualquer um dos tipos de célula do corpo humano (pluripotência), e podem se multiplicar infinitamente.

Células-tronco com memória

Os cientistas mostraram que as células iPS geradas do líquido amniótico podem formar diferentes tipos de células humanas.

Eles também descobriram que essas células-tronco pluripotentes induzidas podem lembrar o tipo de célula original que as gerou. Durante a reprogramação celular, vários genes que controlam o desenvolvimento das células-tronco são aparentemente ligados ou permanecem ativos.

Isto confirma os resultados de outras pesquisas recentes, que mostram que as células iPS derivadas de diferentes tecidos são propensas a seguirem a sua rota original de desenvolvimento, diferenciando-se espontaneamente.

"Nós simplesmente não sabemos ainda se essa memória da célula doadora terá um impacto sobre os possíveis tratamentos médicos, ou quais tipos de células iPS derivadas de células somáticas serão mais adequadas para tratamentos," afirma Katharina Wolfrum, uma das autoras do artigo, que será publicado no próximo exemplar da revista Plos One.

Células-tronco sem problemas éticos

Há grandes esperanças em relação às células-tronco, que se acredita poderem ser usadas, no futuro, para tratar várias doenças. Até hoje, porém, os embriões são a principal fonte destas células, o que tem levantado sérios problemas éticos.

Isto não acontece com as células-tronco derivados do líquido amniótico, que têm uma série de vantagens sobre outros tipos celulares.

Primeiro, células do líquido amniótico são rotineiramente colhidas em exames pré-natais, para permitir a detecção precoce de doenças. Na maioria dos casos, são colhidas mais células do que realmente necessárias para o exame, que podem ser reaproveitadas.

Além disso, o líquido amniótico contém diferentes tipos de células do feto, incluindo células parecidas com as células-tronco. Como elas não são muito velhas, elas têm menos mutações induzidas pelo ambiente, o que as torna geneticamente mais estáveis.

"Isto pode significar que seja possível reprogramar estas células do líquido amniótico mais rápido e mais facilmente do que outros tipos de células, tornando as células iPS derivadas do líquido amniótico um complemento interessante para as células-tronco embrionárias", explica James Adjaye, coautor do trabalho.

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