
Até hoje, os escudos de reentrada são fabricados na forma de uma camada de material isolante construída na superfície externa das naves, fazendo parte integral de sua construção. Esta é a primeira vez que é testado um escudo independente, que não faz parte do corpo da nave.
Guarda-chuva espacial
O escudo, chamado IRVE (Inflatable Re-entry Vehicle Experiment: veículo experimental de reentrada inflável), subiu a bordo de um foguete Black Brant 9, na forma de um pacote cilíndrico de 42 centímetros de diâmetro e 1,58 metro de comprimento, selado a vácuo.
No interior do pacote cilíndrico, o escudo fica guardado como se fosse um guarda-chuva, que se abre para a frente. O equivalente ao cabo do guarda-chuva é o compartimento onde ficam armazenados os circuitos eletrônicos para monitoramento da reentrada e coleta de dados, incumbidos de coletar os dados que revelam se a proteção térmica de fato funcionou.
Além dos circuitos eletrônicos, o IRVE conta com seis câmeras de vídeo, dispostas de forma circular. Cada câmera tem um ângulo de visão de 72 graus. No conjunto, elas captaram as imagens de todo o processo de enchimento do escudo.
Teste do escudo inflável
O foguete levou cerca de quatro minutos para atingir uma altitude de 210 quilômetros, quando o escudo inflável foi liberado. Menos de um minuto mais tarde, o IRVE liberou-se de seu invólucro e começou a se inflar a partir de uma altitude de 198,4 quilômetros, exatamente como previsto.
O escudo inflável atingiu sua dimensão final, de três metros de diâmetro, em 90 segundos, depois de ser enchido automaticamente com o nitrogênio armazenado em um pequeno tanque sob pressão.
Testes mais quentes
A NASA espera utilizar o conceito de escudos de reentrada infláveis não apenas na Terra, mas também para ajudar a proteger sondas espaciais que deverão pousar em outros planetas.
"Foi um grande sucesso," disse Mary Beth Wusk, coordenadora do projeto. "O IRVE é uma demonstração em pequena escala. Agora que nós comprovamos o funcionamento do conceito, queremos construir aeroescudos mais avançados, capazes de lidar com taxas de aquecimento mais altas."
Como partiu de um estado de inércia, a partir do apogeu do foguete, o IRVE sofreu apenas a aceleração da gravidade. Naves ou sondas espaciais que se aproximem da Terra ou de outros planetas, chegam a uma velocidade muito maior, o que aumenta também o calor gerado em sua reentrada, exigindo escudos de proteção mais eficientes.
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