quarta-feira, 22 de julho de 2009

Anomalia na força da gravidade será testada durante maior eclipse do século

Se você não está em algum lugar de um longo corredor que se estenderá do Tibete até o Oceano Pacífico, passando pela Índia e pela China, não terá outra chance de assistir a um eclipse solar tão longo quanto o que ocorrerá nesta quarta-feira, dia 22. Ele deverá começar às 06h23 da manhã, no horário local da Índia - 21h55 de terça-feira, no horário de Brasília.

Este será o maior eclipse solar do século 21. Outro semelhante só ocorrerá em 2132. Ele será grande também na audiência. Ao atingir dois dos países mais populosos do planeta, a Índia e a China, o eclipse solar será visto por cerca de 2 bilhões de pessoas.

Anomalia da gravidade durante um eclipse

Além de fomentar as especulações e as crenças de místicos e astrólogos, o eclipse solar será também uma oportunidade única para a ciência. Ele está oferecendo a oportunidade para testar uma teoria ainda controversa: a possibilidade de que a gravidade decaia ligeiramente durante um eclipse total.

Geofísicos da Academia Chinesa de Ciências muniram-se dos mais precisos instrumentos já feitos e os distribuíram ao longo de seis cidades do sudeste da China, com o objetivo de testar a hipótese da ocorrência de flutuações anômalas na gravidade da Terra.

"Parece algo que é realmente necessário para quebrar essa incerteza," disse Chris Duif, da universidade holandesa de Delft, à revista New Scientist. "Eu não estou convencido de que a anomalia exista, mas seria algo revolucionário se for comprovado que ela seja real."

Como a gravidade funciona

O primeiro sinal de que a gravidade flutua durante um eclipse foi detectado em 1954. O físico e economista francês Maurice Allais detectou um comportamento errático em um pêndulo durante um eclipse que pôde ser visto de Paris.

Os pêndulos normalmente balançam para um lado e para o outro pela ação da gravidade e da rotação da Terra. No início do eclipse, contudo, a direção do balanço do pêndulo mudou violentamente, sugerindo uma mudança repentina na atração gravitacional.

Essas flutuações têm sido medidas nos últimos 20 eclipses solares, mas os resultados continuam inconclusivos. A maioria da comunidade dos físicos duvida de sua existência, principalmente porque, se ela existir, irá se contrapor a todas as teorias atuais sobre como a gravidade funciona.

Gravímetros e pêndulos

Os cientistas chineses querem obter uma resposta definitiva. Para isto eles prepararam oito gravímetros e dois pêndulos e os colocaram em seis pontos de observação diferentes.

A equipe espera que a enorme distância entre os sensores - cerca de 3.000 quilômetros entre os mais distanciados - assim como a quantidade e a diversidade dos instrumentos, eliminem a chance de erros de leitura, assim como dos efeitos de fatores como distúrbios atmosféricos locais.

"Se nossos equipamentos funcionarem corretamente, eu acredito que temos uma chance de dizer se a anomalia é verdadeira acima de qualquer suspeita," disse Tang Keyun, geofísico da Academia Chinesa de Ciências.

A resposta à dúvida, que poderá exigir mudanças radicais em teorias consideradas como fundamentais na física, não será tirada imediatamente. Os cientistas afirmam que a interpretação de todos os dados coletados pelos seus instrumentos ultraprecisos poderá levar vários meses.

No local onde estão os instrumentos, o eclipse durará mais de cinco minutos. Em uma região desabitada ao longo do Oceano Pacífico ele chegará a durar seis minutos e 39 segundos, um recorde que só será batido em 2132.

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